Cursos a distância são oferecidos pelo aplicativo do celular

Empresas apostam na qualificação online para atrair alunos. Levantamento coloca aplicativos de educação em segundo lugar entre os mais baixados.

O modelo de educação a distância (EaD) é uma tendência em franca expansão no Brasil. Segundo dados do Ministério da Educação, há atualmente no país 8.811 polos EaD, que são unidades descentralizadas das instituições de ensino voltadas para as atividades presenciais dos cursos. No último ano, houve um salto no número de novos polos. Foram 33,8% a mais entre 2015 e 2016, o aumento havia sido de apenas 4,4%. Enquanto universidades e escolas buscam se reinventar, surgem novas empresas que apostam em cursos livres até mesmo pelo celular. Levantamento da BigData Corp. encomendado pelo PayPal Brasil apontou que os aplicativos de celular para educação aparecem em segundo lugar no ranking dos mais baixados, com 8,43%, atrás só daqueles voltados para Entretenimento (8,5%).

Em quatro anos, o app Qualifica já formou mais de 10 milhões de pessoas em 50 cursos para dispositivos móveis. “Cerca de 97% dos estudantes hoje têm smartphones. Além disso, os brasileiros consomem no celular o dobro da internet que usam em computadores. Os cursos por aplicativo não substituem o professor em sala de aula. Mas são um aliado a mais da educação”, explica Ricardo Drummond, CEO da mLearn Educação Móvel, empresa que desenvolveu o app Qualifica.

No momento, o aplicativo conta com cerca de 120 mil alunos. É o caso da dona de casa Talita Meireles, que mora na cidade de Nova Lima, em Minas Gerais. Ela conta que, após concluir o Ensino Médio, não conseguiu dar prosseguimento aos estudos devido ao nascimento das filhas. Talita tem interesse pela área de atendimento ao cliente. E, na folga dos cuidados com as meninas, vai ao celular se preparar para o mercado de trabalho. “Já concluí os cursos de secretariado, auxiliar de escritório e de relacionamento interpessoal. Com as lições que aprendi, como elaboração de planilhas no Excel e arquivamento de relatórios, me sinto mais segura para procurar emprego”, conta Talita.

GAMIFICAÇÃO

Um dos dispositivos utilizados pelo aplicativo é a gamificação, que traz recursos dos jogos de videogame, como ranking, número de vidas e fases, para engajar os alunos. O app ainda lança mão da inteligência artificial, que coletas dados da navegação do usuário e oferece conteúdo de acordo com o perfil do aluno.

As videoaulas, como é comum nos modelos EaD, também são recursos utilizados. Na Curseria, empresa de cursos online, o conteúdo audiovisual tem características de produção cinematográfica, com a participação de personalidades e influenciadores digitais. No curso de Alimentação Saudável, por exemplo, quem ensina receitas é Bela Gil.

PÚBLICO SEGMENTADO

No modelo da educação a distância, surgem empresas que apostam em nichos específicos de alunos. É o caso da Descola, que oferece conteúdo na internet para profissionais das áreas de empreendedorismo e inovação a interessados em temas como Design Thinking, Design de Serviços e Arquitetura de conteúdo. As aulas são dividas em capítulos, com vídeos de duração de dois a sete minutos.

Desenvolvida pela Solides, outra iniciativa que aposta num segmento de alunos é a Universidade Solides, que produz conteúdo online para profissionais de RH. A plataforma foi criada em junho e vai lançar novo curso ainda neste mês, como o nome ‘Recrutamento e Seleção Comportamental’.

Por BERNARDO COSTA