Entenda a proposta de Zema para recrutamento no governo de Minas Gerais

O modelo de recrutamento dentro do governo não é novidade no mundo e no Brasil. Entenda como funciona e quais suas vantagens.

O mundo dos negócios e da política se juntou com a eleição de Romeu Zema, do Partido Novo, para o governo de Minas Gerais no domingo, dia 28. Ele é dono do Grupo Zema, que tem desde negócios de moda aos postos de combustíveis.

Agora, como governador, uma de suas propostas é fazer a seleção de seus secretários por critérios técnicos, e não por indicação política. Mas será possível trazer a fórmula de recrutamento do mundo corporativo para a gestão pública?

Segundo Zema, uma empresa de recrutamento será contratada para oferecer uma lista de candidatos ideais para cada pasta, de acordo com critérios estabelecidos por sua equipe.

A iniciativa é vista como positiva pelo diretor executivo do Page Group, Fernando Andraus.

“Essa seleção dá transparência e traz profissionais mais capacitados para o governo, com experiência acadêmica e de liderança executiva. Temos uma divisão dedicada ao recrutamento no serviço público e muitos países no mundo tem sistemas maduros desse tipo, como Inglaterra, França e o Chile”, comenta Andraus.

O executivo apresenta o caso do Chile como um exemplo de sucesso na América Latina. No país, os ministros continuam sendo indicados pelo presidente, mas todos os níveis hierárquicos abaixo deles são selecionados por empresas de recrutamento.

O sistema começou para contratar diretores de estatais e de secretarias e funciona como uma licitação. Cada empresa é cadastrada e avaliada recorrentemente dependendo da qualidade de resultados.

Assim, as vagas são publicadas e qualquer um pode se candidatar, como em concursos públicos. Todos os currículos são avaliados por consultores treinados e os selecionados passam pelo processo de avaliação de seus conhecimentos técnicos e de comportamento.

Segundo Andraus, o modelo garante transparência no governo e a competitividade para os cargos valoriza a qualidade da carreira pública. No final, a empresa indica uma lista de melhores candidatos para o cargo.

“O concurso público hoje é baseado em prova como principal instrumento de avaliação, o que não conversa com técnicas mais modernas de atração no recrutamento de profissionais”, diz ele.

Fonte: Exame